Por Dentro

sábado, 23 de novembro de 2013

Mulheres


Ainda vejo Amélias. Se aperto um pouco mais os olhos, enxergo Isauras. São personagens fictícias que permanecem instaladas em muitas residências em pleno século XXI. São mulheres de pôr café, subservientes, submissas e dependentes de seus maridos.

Por que me surpreendo quando vejo figuras femininas ocupando cargos designados a homens, se de acordo com a teoria, somos todos iguais?

A realidade é que não funciona desta forma. Alguns têm medo de sair do armário, e muitas mulheres, de suas casas. É hora de buscar melhorias, acreditar em si, no seu potencial e ser tão influente quanto qualquer um, pois somos nós que temos a capacidade cognitiva de executar diversas funções simultaneamente.


Passou o tempo de deixarmos de ser as Garotas de Ipanema, enaltecidas apenas por nossas belezas e nos tornarmos Hillary Clinton, Jill Abramson, Sheryl Sandberg, Michelle Obama, Maria das Graças Foster, ... todas influentes internacionalmente e conhecidas por suas ações!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Escrever


Esvaziar-se, livrar-se, libertar-se, vomitar, expurgar, expressar, sentir, exprimir, aflorar-se. Não pensar: externar. Ódio, raiva, rancor. Angústia, ou solidão. Vazios, cheios. Alegrias, dores. Paixões, ou amores. Carnal ou sentimental. Feelings... Just write!

Escrever é um ato de pôr pra fora todo o emaranhado de sentimentos que há dentro de si. Suas palavras conseguem exprimir com completa verossimilhança o que te angustia, te amargura e impossibilita continuar adiante.

É como um copo completamente cheio, transbordando. Não há capacidade sequer para uma gota, mas a torneira continua aberta: assim são nossos problemas. Quando escrevemos, é como se déssemos um basta, e derrubássemos todo o conteúdo do tal copo, permitindo que flua tudo aquilo que não tinha a menor capacidade de ser suportado. É um esvaziamento literal.

Acontece que há tantas questões que vão de encontro ao que pode-se julgar como politicamente correto, ou até mesmo, que se antagonizam com aquilo que foi ensinado ao longo da vida... Simplesmente, chega um momento  em que você precisa lidar com isso na mais pura naturalidade, indo de encontro aos seus “valores”, e aprendendo a adaptar-se a um meio “sujo”, apenas para sobreviver.

Sobrevivência. Sim, este é o grande ponto de exclamação de todo esse contexto (até onde suportar para viver?).  Lidar com o que é socialmente errado é mais complexo na vida real do que no plano do imaginário. A partir do momento em que se vivencia uma situação delicada- principalmente com o próximo tão próximo de si, é mais difícil encontrar soluções.

Até onde o ser humano consegue ser falso? É tanta hipocrisia, imoralidade, traição, que viver tem sido mais complicado a cada dia que passa...Aceitar tem sido hard; driblar a situação, mais ainda.

Enquanto os problemas não se resolvem por “conta própria”, vamos continuar vomitando nossas palavras, e pondo pra fora tudo aquilo que nos faz mal.


sábado, 26 de janeiro de 2013

DOR



Suas lágrimas cessaram. Já não havia mais o que pôr pra fora. Todos os seus sentimentos estavam anestesiados, e seu cérebro só pensava em como proceder a partir do presente momento. Não havia escolhas ou alternativas, que não fosse partir. Mas como? A quem recorrer?

Seus olhos mal viam o mundo, as pálpebras não permitiam... A vermelhidão e a irritação, proveniente de um descontrole emocional incomodavam-na. Aquela aparência refletida no espelho era o de menos, se comparado com o “eu” interior dela, que nada mais era, do que uma essência desconfigurada, completamente remendada...

Não sabia o que pensar ou que fazer. As lembranças iam e vinham, assim como o mar, que também tem seus dias de revolta, e consequentes ondas violentas.

Sumir! Essa era a solução?!?! Pra onde? Pra onde ir, se ela estava perdida dentro de si mesma? Quais caminhos seguir, se seus olhos não conseguem enxergar?

“Nada como um dia após o outro”, já dizia uma velha filosofia... Mas não funcionava bem assim... quando parece que tudo está péssimo, e não tem mais pra onde piorar, acredite: piora!

Momentos de dor, tristeza, infelicidade incessante até quando? São apenas questionamentos a serem feitos, diante de um emaranhado de problemas sem solução.

Ela não sabe nem o que escrever, o que pensar ou o que externar. Suas palavras sempre vêm nos momentos de dor. Mas o que está passando transcende a dor, perfurando infinitamente a sua infeliz alma.

Toda a esperança que lhe resta, é de que este momento será apenas um aprendizado, um exemplo de algo a não ser posto em prática em sua vida.